Senti que algo estava para mudar. Talvez fosse o tempo lá fora. Como o mês de agosto antes da primavera chegar. Concebia as coisas como o florescer, a beleza efêmera que não murcha, apenas retorna à terra.

Sem clichê fui verificar o céu. Lua crescente. Só para me certificar de que ainda estava lá.

Comecei a sentir aquele ar de fim de ano. Quando era criança esse ar era mais atenuado, hoje quase não percebo. Quase. É como se a atmosfera conspirasse pelas mudanças, assim lembro da melodia que está por vir.

Havia tirado no biscoito da sorte: as estações chegarão, tudo se renovará.

Nada é igual depois de fazer aniversário. O ano faz aniversário em junho. Em julho chegam as férias, depois nada será como antes. De janeiro a julho o ano ensaia para acontecer.

Qual é a lembrança mais longínqua da minha existência? Diria que é esse cheiro, esse ar antes da Primavera.

Você já se pegou de surpresa abaixo de um céu soberanamente estrelado?

Tive essa experiência duas vezes. Na primeira vez acampava. Não havia luzes além das estrelas no alto e vagalumes no chão. Na segunda vez estava numa estrada de terra no sertão da Bahia. Nenhum som além do suspiro perplexo diante da abóbada noturna.

Quando a gente é criança deseja coisas como um telescópio, mas depois esquece. Penso que deveria lembrar dos telescópios, mas principalmente lembrar um pouco mais das estrelas nas noites em que o inverno se despede.

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