A história de duas Katherines: avó e neta. Kate, a neta, descobre um misterioso bracelete e um diário indestrutível que pertence a avó, Katherine, uma historiadora viajante no tempo. Kate precisa aprender a viajar no tempo e voltar para o século XIX para evitar que um desastre aconteça e bagunce sua própria linha do tempo.

Como toda abordagem sobre viagem no tempo existe a temática das consequências. Traduzindo: alguma cagada sempre acontece.

Kate vê as pessoas que conhece mudando de nome e aparecendo em outro lugar com outra vida. A avó que a princípio é contra que as histórias sejam reescritas, decide que é necessário abrir uma exceção porque a viagem no tempo foi usada como ferramenta de manipulação.

As viagens se desenrolam num contexto religioso com discurso de poder, convenções feministas, disparidade de classes e outras pegadas sociais. É bem sutil, mas está lá.

Achei a ambientação bem detalhada. A autora é historiadora e nos agradecimentos ela conta um pouquinho sobre o trabalho de pesquisa que levou para contextualizar os eventos do livro.

A princípio não me identifiquei com Kate. Ficava incomodada com a maneira desconfiada que ela conversava com a avó. Queria ter dito: “Caramba Kate, sua vó viaja no tempo!”. Com o passar das páginas percebi que Kate é questionadora. Nem sempre aceitou as verdades logo de cara: duvidou, desobedeceu e se arriscou em vários momentos.

Há um toque de romance adolescente no enredo. Em vários trechos fiquei incomodada porque Kate parecia mais preocupada com o garoto do que com a própria vida. Tudo bem, Kate pode ser heroína viajante no tempo E se apaixonar, mas me senti cansada da leitura. Se o namorado sumisse na história confesso que não sentiria falta.

Queria saber mais sobre a vó, sobre a preparação para os saltos no tempo e, claro, queria mais viagens.

Encerro o livro com a sensação de que somos viajantes no tempo. Apesar de não transitar entre diferentes épocas, são diferentes épocas que transitam em mim: a história local, a história familiar, a história das mentalidades. O tempo como abstração faz dos seres humanos, essencialmente, viajantes no tempo.