Quando decidi produzir menos lixo percebi que só seria possível se eu consumisse menos e melhor. Entenda melhor por qualidade. E qualidade não é necessariamente sinônimo de preço alto.

Um produto de boa qualidade pode ser mais caro por causa da produção e seus custos envolvidos como: ingredientes naturais (talvez orgânicos), produção artesanal, durabilidade, benefícios, melhores condições de trabalho e afins. Se ainda assim considerar algo caro, posso buscar opções mais viáveis, locais ou até mesmo tentar fazer em casa.

Embora a motivação inicial não tenha sido economia financeira, posso dizer que os gastos diminuíram bastante. Não passar pela prateleira de higiene, perfumaria e limpeza é uma baita redução de custo a cada mês.

Colocar na balança se tornou expressão literal. Comecei a levar saquinhos de tecido e o próprio recipiente para tirar a tara, ou seja, verificar o peso do recipiente antes de medir o produto a granel. Dessa forma consegui evitar muitas embalagens. Revolucionei o meu conceito de apenas recusar as sacolas plásticas. 🙂

Comecei a valorizar aquilo que eu posso comprar FORA do supermercado. Feiras, bancas, boxes, lojinhas de produtos naturais a granel. Dar bom dia ao atendente, pedir com gentileza.

Faço algumas perguntas antes de consumir.

Eu realmente preciso? Vai me fazer bem? Quanto tempo dura? Produz algum resíduo? Se produz resíduo pode ser reciclado ou compostado? Existe uma alternativa para não produzir NENHUM resíduo? Se essa é a única forma que encontrei e vai produzir algum resíduo, ainda assim, é necessário?

Mas não sou cem por cento verde. Não. Ainda vou ao supermercado. Ainda compro produtos embalados em papel, vidro, metal e, infelizmente, plástico. Rolam algumas compras não-planejadas. Aparecem sacolas em casa porque é costume de algum amigo ou familiar. Peço uma bebida e aparece uma colherzinha ou canudo quando não me antecipei para recusar.

O pior talvez seja encarar lojinhas de quinquilharia pela rua. Saber que lá fora não vai mudar da noite para o dia. Observar pessoas desesperadas por sacolas porque dizem que precisam para colocar o lixo, mas não querem (e muitas vezes não sabem como) se desfazer do hábito.

Respiro e repenso. Porque também não quero produzir lixo na minha mente, nem intoxicar o meu corpo com desespero, obrigação ou culpa.

Repensar o consumo não é surtar. É questionar e aplicar as mudanças na medida do que é possível. E acredite, sempre há algo possível para você começar hoje.

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