Fazia um tempão que eu não lia quadrinhos. Foi quando encontrei Os diários de Amora. Me chamou a atenção pelas ilustrações que lembram um pouco aquarela, além da capa linda com um leão. Pelo simples motivo de: AMO leões! Seja por causa do arquétipo de força, do simbolismo esotérico, dos meus sonhos onde frequentemente aparecem leões, dos leões na litaratura – oi, Nárnia.

Gosto de histórias infantis e que se passam na infância. A simplicidade da linguagem nunca é rasa, embora as palavras sejam descomplicadas. Descubro a profundidade nas emoções das personagens que apenas se manifestam. São o que são. Acredito que depois que a gente cresce continuamos a ser crianças, só acrescentamos mais fases.

Amora tem 10 anos e meio. Lembra de quando era criança e também contava a idade em anos-e-meio?

Ela quer ser escritora e busca as histórias através dos segredos das pessoas. Acredita que todo mundo esconde algo sobre si. Observa os adultos para transformá-los em personagens da sua aventura. Sua grande fonte de inspiração é a mãe e a senhora Desjardins, a vizinha escritora.

Da casa-da-árvore na floresta, onde passa o tempo com as melhores amigas Line e Erica, observa um misterioso homem cheio de tintas saindo por entre as árvores. Quem ele é? O que faz ali? Amora vê a oportunidade perfeita para revelar uma história, tão logo começa a juntar pistas, escrever anotações e encorajar as amigas a participar da investigação.

Amora é uma personagem curiosa e decidida, mas o quadrinho tem várias personagens femininas fortes que encorajam a ver as coisas além do óbvio, a descobrir aquele algo-mais nas pessoas. É uma história simples, mas que parece estar sendo escrita enquanto se vira a página. Se eu tivesse lido quando era mais nova com certeza teria dito: quero ser escritora quando crescer.

A história também tem aquele toque de natureza que tanto me encanta. A cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo, a floresta e um  lugar – prometo que não vou contar – bem especial.

Perfeito para crianças. Sejam aquelas que ainda contam as idades em anos-e-meio ou aquelas que não lembram quantos anos completaram no último aniversário.